Cá por mim, uma coisa é deveras certa: sentimentos como ansiedade, paixão, saudade, amor, carencia, entre outros, foram, são e serão sempre os mesmos - muda, porém, a nossa forma de vivenciá-los, na medida em que se expande o nosso horizonte de expectativas, transformando-se, por outro lado, o ambiente social em que estamos inseridos.
Em momentos de pesar, dor, mágoa, geralmente, somos possuídos por pensamentos negativos, deixando, ainda que inconscientemente, vibrar toda essa negatividade em nossa própria áurea espiritual e, por que não, influenciando para que a nossa fisionomia transpareça a nossa descrença na superação do mal que nos aflige. Passado algum tempo, no entanto, já superada a dor e a incompreensão e incongruencia dalguns factos da vida notamos, muitas vezes com profundo pesar, que, afinal, não havia motivos suficientes para nos afogarmos naquele copo de água.
Imaginemos uma situação em que pretendemos fazer uma retrospectiva da nossa vida, começando pelos tempos mais antigos, através duma persistente recorrencia ao sub-consciente, rebuscando todas aquelas imagens, vozes e dados da infancia, para posteriormente percorrermos a adolescencia até a juventude ou, quiçá, a fase adulta. Aquele menino que precisava de ser acompanhado a escola, que tinha medo da própria sombra, tímido e repleto de incertezas... aquele menino não se parece mais connosco! Mas, ora me corrijam se estiver errado, a timidez do século XX continua a ter a mesma essencia (não digo razões) que a do século XV. O amor, desde que foi amor, é amor. Nós é que, segundo as influencias do ambiente que nos rodea, tendo em conta as experiencias vividas e transmitidas, nos vamos moldando, uns aceitando, outros negando, que esse(s) sentimento(s) se expresse com naturalidade, como se fosse a primeira vez.
Por vezes sento e tento encarar a realidade da minha própria vida e, com certa ingenuidade, me surpreendo com a quantidade de realizações que a mim chegaram nestes últimos tempos - e me lembro, com sorriso, do quanto eu duvidava delas! Mas, novamente, as realizações não são novas, sempre existiram, sempre houve uma forma de chegar até elas... ampliou-se, no entanto, o meu horizonte de expectativas, a minha crença no realização do que anteriormente julgava impossível.
Quantas vezes me pergunto se estou realmente acordado ou sonhando, mesmo caminhando. Quantas outras, dormindo, me questiono, ainda que movido pelas forças do sub-consciente, isto é, imerso no universo oculto, se estarei realmente sonhando (dormindo) ou simplesmente acordado e imaginando que sonho. Na realidade, a experiencia de vivenciar um sonho não se difere tanto do estar desperto. Quando olho para o passado, lembrando-me de momentos alegres que viví, não os vejo como sendo tão diferentes dos momentos que ilusoriamente viví em sonhos.
A palavra "saudade", dizia Gabriel O Pensador, só existe em portugues mas (em todos os idiomas) há sempre uma expressão para evocar a ausencia. Assumo a possibilidade do cantor não citar o pensamento com essas exactas palavras, mas a essencia é basicamente a mesma.
Apeteceu-me dizer, disse. Sentí necessidade, expressei os meus sentimentos.
Um abraço forte ao Paulo Brown (surfando em Xai-Xai, meu kamba?), ao Leme Nosso (ainda curtindo a de Mueda, meu chapa?), ao Martin Matave (na Multi-Businesse ainda vai rolar muita grana, meu mano) e ao Walter Blood (os tais gajos... tu sabes, bro, o sucesso vem ai!) e a todos os Habitantes do Oculto.