Se eu nunca disse que os teus dentes...
Se eu nunca disse que os teus dentes
São pérolas,
É porque são dentes.
Se eu nunca disse que os teus lábios
São corais,
É porque são lábios.
Se eu nunca disse que os teus olhos
São d'ónix, ou esmeralda, ou safira,
É porque são olhos.
Pérolas e ónix e corais são coisas,
E coisas não sublimam coisas.
Eu, se algum dia com lugares-comuns
Houvesse de louvar-te,
Decerto buscava na poesia,
Na paisagem, na música,
Imagens transcendentes
Dos olhos e dos lábios e dos dentes.
Mas crê, sinceramente crê,
Que todas as metáforas são pouco
Para dizer o que eu vejo.
E vejo olhos, lábios, dentes.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Mulher Negra - Leopold Senghor
MULHER NEGRA
Mulher nua, mulher negra
Vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra; a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão, em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida, do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração, como o golpe certeiro
de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura.
Fruto sazonado de carne vigorosa, êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros, savana que freme com
as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural, tenso tambor que murmura sob os dedos
do vencedor
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre
a noite da tua pele.
Delícia do espírito, as cintilações de ouro sobre tua pele que ondula
à sombra de tua cabeleira. Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino te reduza a cinzas para
alimentar as raízes da vida.
LEOPOLD SENGHOR
Mulher nua, mulher negra
Vestida de tua cor que é vida, de tua forma que é beleza!
Cresci à tua sombra; a doçura de tuas mãos acariciou os meus olhos.
E eis que, no auge do verão, em pleno Sul, eu te descubro,
Terra prometida, do cimo de alto desfiladeiro calcinado,
E tua beleza me atinge em pleno coração, como o golpe certeiro
de uma águia.
Fêmea nua, fêmea escura.
Fruto sazonado de carne vigorosa, êxtase escuro de vinho negro,
boca que faz lírica a minha boca
savana de horizontes puros, savana que freme com
as carícias ardentes do vento Leste.
Tam-tam escultural, tenso tambor que murmura sob os dedos
do vencedor
Tua voz grave de contralto é o canto espiritual da Amada.
Fêmea nua, fêmea negra,
Lençol de óleo que nenhum sopro enruga, óleo calmo nos flancos do atleta,
nos flancos dos príncipes do Mali.
Gazela de adornos celestes, as pérolas são estrelas sobre
a noite da tua pele.
Delícia do espírito, as cintilações de ouro sobre tua pele que ondula
à sombra de tua cabeleira. Dissipa-se minha angústia,
ante o sol dos teus olhos.
Mulher nua, fêmea negra,
Eu te canto a beleza passageira para fixá-la eternamente,
antes que o zelo do destino te reduza a cinzas para
alimentar as raízes da vida.
LEOPOLD SENGHOR
Ele tb é filho dum Judeu... Lenny Kravitz.
Lenny Kravitz é, sem sombra de dúvidas, um grande artista: ídolo por execelencia. Impressiono-me não somente com as suas líricas - romanticas, na sua maioria - como também me questiono inúmeras vezes: Como é que um gajo tão desenfreado e louco dos cornos é capaz de escrever coisas tão bonitas e vestir daquele jeito? E aqueles brincos? O cabelo?
Isso só acontece porque bebí muito do preconceito que mina as actuais sociedades. A gente ve o cabelo, mas não imagina a pureza e grandeza do coração. O clássico erro de usar simples dados - factos observados - e precipitar-se a concluir.
Tenho estado a ouvir o seu Greatest Hits, que engloba temas dos seus mais antigos trabalhos discográficos. Can´t get you off my mind, Again, American Woman, Fly Away, entre outros, fazem deste album uma autentica maravilha. Muita pena não ter com quem discutir as temáticas que ele questiona e aborda. Quantas vezes Fly Away me recorda um bom Grunge dos míticos Nirvanna?
Revistas várias fazem alusão ao facto de ele ter adoptado duas crianças. Tendo em conta o perfil do Mestre Kravitz, lembro-me do Cachimbo da Paz de Gabriel Pensador. Proibiram o Cachimbo, que no fundo não stressava a ninguém, e legalizaram uma droga bem pior, a cerveja, que inclusive foi a causa principal dum grave atropelamento que resultou na morte dum padre e um casal. É o mesmo, num outro angulo de visão, que acontece com o autor de Stillness of Heart: é um tipo extrovertido pro burro, mas simultaneamente sentimental e(provavelmente) amável.
Tente ouví-lo, creio que se vai espantar com o que sai do coração deste toxicodependente.
Isso só acontece porque bebí muito do preconceito que mina as actuais sociedades. A gente ve o cabelo, mas não imagina a pureza e grandeza do coração. O clássico erro de usar simples dados - factos observados - e precipitar-se a concluir.
Tenho estado a ouvir o seu Greatest Hits, que engloba temas dos seus mais antigos trabalhos discográficos. Can´t get you off my mind, Again, American Woman, Fly Away, entre outros, fazem deste album uma autentica maravilha. Muita pena não ter com quem discutir as temáticas que ele questiona e aborda. Quantas vezes Fly Away me recorda um bom Grunge dos míticos Nirvanna?
Revistas várias fazem alusão ao facto de ele ter adoptado duas crianças. Tendo em conta o perfil do Mestre Kravitz, lembro-me do Cachimbo da Paz de Gabriel Pensador. Proibiram o Cachimbo, que no fundo não stressava a ninguém, e legalizaram uma droga bem pior, a cerveja, que inclusive foi a causa principal dum grave atropelamento que resultou na morte dum padre e um casal. É o mesmo, num outro angulo de visão, que acontece com o autor de Stillness of Heart: é um tipo extrovertido pro burro, mas simultaneamente sentimental e(provavelmente) amável.
Tente ouví-lo, creio que se vai espantar com o que sai do coração deste toxicodependente.
Como Aprender a Estudar - E. Macamo e T. Huo
Estou relendo COMO APRENDER A ESTUDAR de Teles Huo e Elísio Macamo. Obra fascinante e de grande contribuição no ambito académico.
Estou particularmente feliz com a versatilidade e independencia dos capítulos, temas e conteúdos. É aconselhável, sem sombra de dúvidas, ler a obra na íntegra, mas admite-me uma leitura aleatória, no sentido de ler um assunto tratado na página 52, por exemplo, que é a ESCUTA E TOMADA DE NOTAS, para posteriormente ler MODÉSTIA E HUMILDADE, na página 26.
Tendo o livro aqui comigo, por que não transcrever algumas citações? Espero não estar cometendo nenhum crime.
Dizem-nos os intelectuais E.M.e T.H. que «o princípio básico do ensino superior é de que o discente é suficientemente sensato para aprender ao seu próprio ritmo. Se é verdade que o currículo estabelece o conteúdo e as etapas do que é ensinado, não é menos verdade que as preferencias que os estudantes trazem consigo, ou que desenvolvem durante os cursos, são determinantes para o ritmo que eles incutem aos estudos. Uns interessam-se por questões teóricas enquanto que outros dão preferencia ao empírico. Uns interessam-se por assuntos estritamente sociais enquanto outros se interessam por temáticas económicas. Uns são pela dimensão histórica, outros pela política. Face a estas preferencias diversificadas a universidade não pode de forma alguma estabelecer um currículo capaz de servir satisfatoriamente os interesses que este último traz à superfície.
Posto isto, coloca-se ao estudante o problema de saber como corresponder aos seus interesses particulares sem, contudo, descurar os parametros impostos pela universidade. Como seleccionar os conteúdos e estabelecer um equilíbrio entre interesses pessoais e currículo? Estas preocupações são legítimas e precisam de uma resposta à medida. Em nossa opinião saber ouvir e tomar notas pode constituir uma resposta adequada ao problema. Saber ouvir e tomar notas são duas faces da mesma moeda.»
Façamos algum comentário, ainda que superficial. Em conversas com amigos e colegas tenho abordado um assunto que se aproxima muito ao tema acima transcrito. Estou cursando tecnologias e Sistemas de Informação na USTM e um dos problemas com que vários estudantes se deparam é justamente a insatisfação perante o currículo. É preciso admitir que existe, efectivamente, aquilo que corresponde ao interesse particular ou pessoal do estudante, aquilo que ele aspira e/ou ambiciona, por um lado, e aquilo que a Universidade dispõe e oferece, o seu currículo, por outro. Torna-se necessário, por conseguinte, procurar um equilíbrio entre a oferta e a disponibilidade. Um bom estudante deve ser capaz de se interessar não apenas com a matéria que lhe agrada e parece de fácil compreensão, mas sobretudo com aquela que lhe parece chata, difícil e pertinente.
Estou adorando reler este livro... é provável que ele me acompanhe durante grande parte do meu trajecto rumo à sabedoria, ou contemplação, na expressão do filósofo e pensador grego Platão.
Estão de parabens, embora não precisem do meu complemento, estes dois intelectuais!
Estou particularmente feliz com a versatilidade e independencia dos capítulos, temas e conteúdos. É aconselhável, sem sombra de dúvidas, ler a obra na íntegra, mas admite-me uma leitura aleatória, no sentido de ler um assunto tratado na página 52, por exemplo, que é a ESCUTA E TOMADA DE NOTAS, para posteriormente ler MODÉSTIA E HUMILDADE, na página 26.
Tendo o livro aqui comigo, por que não transcrever algumas citações? Espero não estar cometendo nenhum crime.
Dizem-nos os intelectuais E.M.e T.H. que «o princípio básico do ensino superior é de que o discente é suficientemente sensato para aprender ao seu próprio ritmo. Se é verdade que o currículo estabelece o conteúdo e as etapas do que é ensinado, não é menos verdade que as preferencias que os estudantes trazem consigo, ou que desenvolvem durante os cursos, são determinantes para o ritmo que eles incutem aos estudos. Uns interessam-se por questões teóricas enquanto que outros dão preferencia ao empírico. Uns interessam-se por assuntos estritamente sociais enquanto outros se interessam por temáticas económicas. Uns são pela dimensão histórica, outros pela política. Face a estas preferencias diversificadas a universidade não pode de forma alguma estabelecer um currículo capaz de servir satisfatoriamente os interesses que este último traz à superfície.
Posto isto, coloca-se ao estudante o problema de saber como corresponder aos seus interesses particulares sem, contudo, descurar os parametros impostos pela universidade. Como seleccionar os conteúdos e estabelecer um equilíbrio entre interesses pessoais e currículo? Estas preocupações são legítimas e precisam de uma resposta à medida. Em nossa opinião saber ouvir e tomar notas pode constituir uma resposta adequada ao problema. Saber ouvir e tomar notas são duas faces da mesma moeda.»
Façamos algum comentário, ainda que superficial. Em conversas com amigos e colegas tenho abordado um assunto que se aproxima muito ao tema acima transcrito. Estou cursando tecnologias e Sistemas de Informação na USTM e um dos problemas com que vários estudantes se deparam é justamente a insatisfação perante o currículo. É preciso admitir que existe, efectivamente, aquilo que corresponde ao interesse particular ou pessoal do estudante, aquilo que ele aspira e/ou ambiciona, por um lado, e aquilo que a Universidade dispõe e oferece, o seu currículo, por outro. Torna-se necessário, por conseguinte, procurar um equilíbrio entre a oferta e a disponibilidade. Um bom estudante deve ser capaz de se interessar não apenas com a matéria que lhe agrada e parece de fácil compreensão, mas sobretudo com aquela que lhe parece chata, difícil e pertinente.
Estou adorando reler este livro... é provável que ele me acompanhe durante grande parte do meu trajecto rumo à sabedoria, ou contemplação, na expressão do filósofo e pensador grego Platão.
Estão de parabens, embora não precisem do meu complemento, estes dois intelectuais!
Rudyard Kipling
Se puderes....
Se puderes conservar a calma, quando todos em torno de ti se desnortearem e por isso te culparem –
Se puderes confiar em ti mesmo, quando todos de ti duvidarem, e ainda tolerar a dúvida deles –
Se puderes esperar sem te fatigares, ser caluniado sem tecer intrigas, ser odiado sem te render ao ódio –
Se puderes sonhar sem te deixar vencer por teus sonhos –
Se puderes pensar sem resumir no pensamento teu único objectivo –
Se puderes ouvir a verdade que disseste, deturparda e invertida pelos parvos ou perversos, sem condenares os homens –
Se puderes ver destruídos os edifícios que levantaste em tua vida, e em silêncio reconstruí-los com os recursos gastos –
Se puderes juntar tudo quanto ganhaste e arriscar tudo por uma causa ideal, que ninguém compreende, perder tudo e recomeçar do início, sem nunca murmurar nem dizer nenhuma palavra sobre teu prejuízo –
Se puderes estimular teu coração, os nervos e os músculos para te servirem, depois de esgotados por derrotas e decepções, com o idealismo da intacta mocidade –
Se puderes falar às multidões sem contaminar as tuas virtudes, frequentar reis sem perder a tua simplicidade –
Se nem os mais ferozes inimigos nem os mais devotados amigos te puderem ferir –
Se puderes confiar serenamente em todos os homens, mas em nenhum cegamente –
Se puderes guardar inviolável fidelidade ao próprio Eu sem deixar de assimilar o que os outros têm de bom –
Se nem elogios nem vitupérios te puderem iludir sobre a tua verdadeira bondade ou maldade –
Se puderes preencher o inexorável minuto da tua vida com os sessenta segundos que representam o seu valor passado –
Se puderes, no meio das vociferações de teus inimigos, pedir ao Eterno: Pai, perdoa-lhes –
Se puderes, através da escuridão da hora final da existência, vislumbrar estrelas e auroras –
Então, meu amigo, o mundo será teu e tudo o que ele contém...
E, mais ainda, tu serás HOMEM...
Homem sobre-humano...
Homem quase divino...
Se puderes....
Se puderes conservar a calma, quando todos em torno de ti se desnortearem e por isso te culparem –
Se puderes confiar em ti mesmo, quando todos de ti duvidarem, e ainda tolerar a dúvida deles –
Se puderes esperar sem te fatigares, ser caluniado sem tecer intrigas, ser odiado sem te render ao ódio –
Se puderes sonhar sem te deixar vencer por teus sonhos –
Se puderes pensar sem resumir no pensamento teu único objectivo –
Se puderes ouvir a verdade que disseste, deturparda e invertida pelos parvos ou perversos, sem condenares os homens –
Se puderes ver destruídos os edifícios que levantaste em tua vida, e em silêncio reconstruí-los com os recursos gastos –
Se puderes juntar tudo quanto ganhaste e arriscar tudo por uma causa ideal, que ninguém compreende, perder tudo e recomeçar do início, sem nunca murmurar nem dizer nenhuma palavra sobre teu prejuízo –
Se puderes estimular teu coração, os nervos e os músculos para te servirem, depois de esgotados por derrotas e decepções, com o idealismo da intacta mocidade –
Se puderes falar às multidões sem contaminar as tuas virtudes, frequentar reis sem perder a tua simplicidade –
Se nem os mais ferozes inimigos nem os mais devotados amigos te puderem ferir –
Se puderes confiar serenamente em todos os homens, mas em nenhum cegamente –
Se puderes guardar inviolável fidelidade ao próprio Eu sem deixar de assimilar o que os outros têm de bom –
Se nem elogios nem vitupérios te puderem iludir sobre a tua verdadeira bondade ou maldade –
Se puderes preencher o inexorável minuto da tua vida com os sessenta segundos que representam o seu valor passado –
Se puderes, no meio das vociferações de teus inimigos, pedir ao Eterno: Pai, perdoa-lhes –
Se puderes, através da escuridão da hora final da existência, vislumbrar estrelas e auroras –
Então, meu amigo, o mundo será teu e tudo o que ele contém...
E, mais ainda, tu serás HOMEM...
Homem sobre-humano...
Homem quase divino...
Se puderes....
Ensinamentos do Mestre...
As sábias palavras que se seguem são da autoria de Paulo Coelho, célebre escritor brasileiro, cuja genialidade já ajudou milhares de mentes a mitigar o seu sofrimento interior em todo mundo. Pra mim ele é um autentico mestre e os seus ensinamentos reflectem muitos dos contornos da minha própria Lenda Pessoal, ou seja, me encontro em cada detalhe, em cada vírgula, do que traduz a sua literatura.
É por isso, aliás, que decidí partilhar contigo este pequeno texto, extraído da imortal obra MAKTUB. E, efectivamente, estava escrito:
Saímos pelo mundo em busca dos nossos sonhos e ideias. Muitas vezes colocamos nos lugares inacessíveis o que está ao alcance das mãos. Quando descobrimos um erro, sentimos que perdemos tempo, buscando longe o que estava perto. Culpamo-nos pelos passos errados, pela procura inútil, pelo desgosto que causamos.
Diz o mestre:
Embora o tesouro esteja enterrado em sua casa, você só irá descobrí-lo quando se afastar. Se Pedro não tivesse experimentado a dor da negação, não teria sido escolhido como chefe da Igreja. Se o filho pródigo não tivesse abandonado tudo, não seria recebido em festa pelo seu pai.
Existem certas coisas nas nossas vidas que têm um selo que diz: «Você só irá entender o meu valor quando me perder – e me recuperar.» Não adianta querer encurtar este caminho.
É por isso, aliás, que decidí partilhar contigo este pequeno texto, extraído da imortal obra MAKTUB. E, efectivamente, estava escrito:
Saímos pelo mundo em busca dos nossos sonhos e ideias. Muitas vezes colocamos nos lugares inacessíveis o que está ao alcance das mãos. Quando descobrimos um erro, sentimos que perdemos tempo, buscando longe o que estava perto. Culpamo-nos pelos passos errados, pela procura inútil, pelo desgosto que causamos.
Diz o mestre:
Embora o tesouro esteja enterrado em sua casa, você só irá descobrí-lo quando se afastar. Se Pedro não tivesse experimentado a dor da negação, não teria sido escolhido como chefe da Igreja. Se o filho pródigo não tivesse abandonado tudo, não seria recebido em festa pelo seu pai.
Existem certas coisas nas nossas vidas que têm um selo que diz: «Você só irá entender o meu valor quando me perder – e me recuperar.» Não adianta querer encurtar este caminho.
segunda-feira, 20 de agosto de 2007
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Matave&Heckle.
Foi numa noite de Sexta-feira, dia 20 de Julho de 2007. Há menos de tres semanas. Depois do trabalho, cheguei a casa, livrei-me do traje formal, equipei-me e fui ao meu jogging. Quando regressei, após um merecido e inevitável duche, lá me lancei ao meu eterno café, ao ritmo de Jack Johnson.
Inesperadamente, o telemóvel tocou. Era o Chama Negra aka Paulo Brown, solicitando a minha presença no Spring Time II. Gente próxima à minha sobriedade bem sabe que não sou de me perder em qualquer noite, mas ignorar um pedido do Brown seria uma forma injusta de deteriorar o meu próprio sentido de existencia. Também estava precisando do papo que, afinal, viemos a ter.
Lancei-me à noite...
Entre um copo e outro, aguardava pelo telefonema do Martin Matave, esse mesmo, metido num gorro. Assumo que o leitor sabe que ele agora exerce as suas funções de IT no Xai-Xai. E não tardou, o tipo ligou-me. Já estou em Maputo, bro, deve ter dito.
A foto acima foi tirada após quase uma garrafa de vinho tinto. Vinho de uvas, claro. E, acima da bebedeira, ela representa uma amizade que se pretende eterna (pelo menos enquanto em nós palpitar o coraçãozinho).
Um abraço bem forte aos companheiros de luta, especialmente tu, meu caro Matave.
Inesperadamente, o telemóvel tocou. Era o Chama Negra aka Paulo Brown, solicitando a minha presença no Spring Time II. Gente próxima à minha sobriedade bem sabe que não sou de me perder em qualquer noite, mas ignorar um pedido do Brown seria uma forma injusta de deteriorar o meu próprio sentido de existencia. Também estava precisando do papo que, afinal, viemos a ter.
Lancei-me à noite...
Entre um copo e outro, aguardava pelo telefonema do Martin Matave, esse mesmo, metido num gorro. Assumo que o leitor sabe que ele agora exerce as suas funções de IT no Xai-Xai. E não tardou, o tipo ligou-me. Já estou em Maputo, bro, deve ter dito.
A foto acima foi tirada após quase uma garrafa de vinho tinto. Vinho de uvas, claro. E, acima da bebedeira, ela representa uma amizade que se pretende eterna (pelo menos enquanto em nós palpitar o coraçãozinho).
Um abraço bem forte aos companheiros de luta, especialmente tu, meu caro Matave.
Eu e os outros da má vida.
Para melhor descrever o tamanho da amizade que o meu coração nutre por vós, estimados companheiros de luta, nada melhor que partilhar este lindo poema de Vinicius de Moraes, escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro.PROCURA-SE UM AMIGO
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
É claro que encontro em vós mais do que o virtual sabor da amizade. Muito obrigado pela constante prersença e carinho. Até sempre.
Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
É claro que encontro em vós mais do que o virtual sabor da amizade. Muito obrigado pela constante prersença e carinho. Até sempre.
quinta-feira, 2 de agosto de 2007
A felicidade - Sérgio Tivane
A Felicidade
Durante abastados anos da minha vida andei preocupado com a questão da felicidade. Queria saber se, efectivamente, o homem podia ser totalmente feliz. Fíz algumas [ingénuas] investigações, típicas da adolescência, procurando solidificar um ideal individual de acordo com o que os outros pensavam, sem nunca me dar tempo para criar um conceito próprio.
Naquela época da minha vida, confesso, embora tenha me esforçado bastante, não encontrei nenhuma definição clara e convincente da felicidade, assim como não encontrei em livro algum uma teoria coerente, sustentada por factos ligados à realidade da minha vida.
Tive sempre a curiosidade de saber se os que viviam rodeados de luxo e de riquezas materiais, que vestiam elegantemente, conduziam bonitos carros e participavam em eventos socialmente apreciados, eram realmente mais felizes que eu — que nunca tivera nenhuma daquelas coisas na esfera real da minha existência, apenas em fingimentos e/ou devaneios. Reparava com preciosa atenção aos rapazes da mesma faixa etária que a minha, cujos pais tinham condições para levá-los ao cinema, teatro, piscinas públicas, etc, e ainda compravam-lhes brinquedos caríssimos, matriculavam-lhes em escolas privadas altamente reconhecidas e, como se isso não fosse suficiente, pagavam-lhes passagens aéreas para férias no exterior – vendo todas essas condições que ostentavam sem precisar de fazer esforço algum, julgava que eles eram ou tinham maiores possibilidades de se tornarem pessoas felizes.
Durante abastados anos da minha vida andei preocupado com a questão da felicidade. Queria saber se, efectivamente, o homem podia ser totalmente feliz. Fíz algumas [ingénuas] investigações, típicas da adolescência, procurando solidificar um ideal individual de acordo com o que os outros pensavam, sem nunca me dar tempo para criar um conceito próprio.
Naquela época da minha vida, confesso, embora tenha me esforçado bastante, não encontrei nenhuma definição clara e convincente da felicidade, assim como não encontrei em livro algum uma teoria coerente, sustentada por factos ligados à realidade da minha vida.
Tive sempre a curiosidade de saber se os que viviam rodeados de luxo e de riquezas materiais, que vestiam elegantemente, conduziam bonitos carros e participavam em eventos socialmente apreciados, eram realmente mais felizes que eu — que nunca tivera nenhuma daquelas coisas na esfera real da minha existência, apenas em fingimentos e/ou devaneios. Reparava com preciosa atenção aos rapazes da mesma faixa etária que a minha, cujos pais tinham condições para levá-los ao cinema, teatro, piscinas públicas, etc, e ainda compravam-lhes brinquedos caríssimos, matriculavam-lhes em escolas privadas altamente reconhecidas e, como se isso não fosse suficiente, pagavam-lhes passagens aéreas para férias no exterior – vendo todas essas condições que ostentavam sem precisar de fazer esforço algum, julgava que eles eram ou tinham maiores possibilidades de se tornarem pessoas felizes.
Segundo o conceito de felicidade que tinha naquela época, consciente ou inconscientemente, eu detinha todas as condições necessárias para ser uma pessoa infeliz pois, antes do mais, pertencia a uma família não abastada; frequentava uma escola pública que, no auge do seu reconhecimento como instituição de ensino, não chegou a superar o grito duma formiga entalada na sola dum desses tantos sapatos assassinos que se espalham por ai; vivia no subúrbio; era céptico, tímido e, enfim, condenado a limitações de vária ordem.
Mas fui crescendo, viajando, conhecendo e convivendo com pessoas de diferentes culturas, bebendo sempre novas filosofias e perspectivas de vida – e, paulatinamente, a minha visão do mundo tornou-se mais ampla e precisa.
Vários são os acontecimentos que, directa ou indirectamente, contribuiram para a minha mudança de mentalidade, isso não posso ignorar, mas claro está que existem/existiram os mais relevantes. Na provincia da Zambézia, por exemplo, conviví com vários empregados domésticos que, ganhando menos de duzentos meticais por mês, eram pessoas mais felizes e harmoniosas que os seus próprios patrões – não porque esse baixo salário pudesse satisfazer todas as suas necessidades, mas porque eles haviam aprendido a agradecer a Deus pelo que conseguiam e, naturalmente, a colaborar com aquilo que não podiam alterar em suas vidas. Esse facto despertou-me certa curiosidade, sobretudo porque eu vinha de uma socialização fria, tipicamente urbana — em que as pessoas eram extremamente possessivas, egocêntricas e se preocupavam demais com a satisfação material, o prestígio social e o bem-estar das suas famílias, colocando os fins como justificativos dos seus meios, actos e atitudes, ou seja, exteriorizando uma visão maquiavélica da vida.
Geralmente, com a rigorosidade duma função contínua, as pessoas dos grandes centros urbanos dão mais valor ao dinheiro, aos caprichos e ao que gastam ou consomem, ignorando completamente a sua integridade pessoal, valores e normas ética e moralmente aceites, pois, entre outros, carecem de empatia e humanismo. Todavia, parafraseando o ilustre Kheleza, o que é mais importante “ser mais” ou “ter mais”?
Dando continuidade às minhas viagens e à ampliação da minha visão sobre o mundo e os seus habitantes, em Tete acumulei alguns relatos de pessoas que só lavavam as suas roupas e tomavam um banho de verdade quando chovesse, mas mesmo assim viviam com um sorriso estampado nos rostos. Também em Maputo, numa certa noite em que eu e um amigo, o Sérgio Jossias Faife, vínhamos da casa da sua namorada, a Nina, e encontrámos duas irmãs paralíticas, em Benfica, vendendo cigarros. Logo ali na Praça, no meio daquele frenético vai-vem dos chapas e gente desnorteada, bem ao lado do famoso J.J. Vendo-nos, uma delas chamou-nos e pediu que as acompánhassemos até a Segunda Rua, onde viviam, porque elas eram incapazes de empurrar as carrinhas com as suas próprias mãos.
Enquanto caminhávamos, sentia-me petrificado e perguntava-me como é que Deus podia permitir que uma crueldade daquelas se debatesse sobre aquelas duas pobres coitadas. Não conseguia conter a minha cólera e descontentamento perante o Divino, anulando todos os desígnios que o Senhor dos Exércitos operara em minha vida. Aquilo era areia demais para o meu camião. Duas meninas, paralíticas, mergulhadas no frio e trevas da noite, vendendo cigarros, aturrando um bando de bêbados insensíveis e gente desonesta, indiferente ao sofrimento envolvido naquele mísero negócio. Espantosamente, ao contrário do que podia imaginar até nas minhas mais utópicas fantasias, elas sorriam e conversavam animadamente, demonstrando o seu conformismo ou, porque não, a sua alegria de viver. Agradeciam-nos pela generosa ajuda e tempo que lhes concedemos.
O parágrafo acima lembra-me uma frase de Dale Carnegie: há tanta paz em pleno campo de batalha quando o homem já percebeu o porquê do sofrimento e o sentido divino da dor. Doutro modo, talvez me custasse mais compreender aquela situação.
Na realidade, os relatos marcantes são vários, pois em quase todos os lugares por onde passei acompanhei histórias de gente que vivia na miséria total, mas encarava a vida com sorriso. Estou falando de gente que aprendeu a dar valor às pequenas coisas. Gente que ainda olha o céu com intenção de contemplar a beleza das estrelas, da lua, e não apenas para consultar se continuam lá, fixas.
Por outro lado, também conviví com gente que tinha “todas” as condições para ser feliz, mas era pura e simplesmente desencantada. Em Malawi, por exemplo, conhecí um jovem alemão de origem suiça, o Alex, que era professor de informática numa escola de ensino superior Polytechnic Acquaintance, em Blantyre. O tipo constituia um exemplo vivo duma pessoa infeliz, deprimida, invejosa, frustrada, etc, etc, etc – mas, curiosamente, vivia numa linda casa, cuja renda era paga pela universidade onde ele lecionava; tinha um salário óptimo e regalias que só terminavam no mais infinito.
Ainda em Blantyre, conheci um velho grego, o Tom, que era o dono do Kabula Lodge, onde eu e o Martin Schaer ficámos hospedados por algum tempo. O Tom tinha uma família, uma casa extremamente invejável, bons carros, uma conta bancária bem gorda [presumo!], mas nem por isso era dos tipos mais felizes que conhecí. Estava sempre só, ausente, tristonho, lembrando-se dos tempos em que, na sua opinião, a República de Malawi era um país mais digno e exemplar – o que, de certo modo, demonstrava o seu inconformismo, a sua dificuldade em aceitar as mudanças que a vida embarga e, sobretudo, a sua incapacidade de deixar de chorar pelo leite derramado.
O Tom amava o Adolfo Hitler, dizia que ele tinha sido um verdadeiro herói alemão, cujo carácter devia ser adoptado por todas as gerações vindouras. Nem mesmo a sua requintadíssima biblioteca o trazia alegria.
Não por questões ligadas ao género ou a superioridade masculina, mas os relatos de pessoas económica e socialmente estáveis mais penosos que detenho provém de mulheres que, por motivos vários, não posso nem devo mencionar os seus nomes. Possessivas, egocêntricas, invejosas, fofoqueiras, incultas, que passam as suas vidas esperando que alguém pise numa casca de banana e escorregue, essas mulheres não vivem nem contribuem para o desenvolvimento sustentável e equilibrado do mundo, apenas existem.
Muitos, tal como eu no passado, se enganam pensando que o poderio material lhes trará, algum dia, a verdadeira felicidade.
Muitos, tal como eu no passado, dão mais valor àquilo que lhes falta e ignoram completamente tudo quanto conseguiram (despendendo ou não muito esforço).
Muitos, tal como eu no passado, confundem a felicidade com momentos de alegria e emoção.
Na minha mais sincera opinião, não é nenhum diploma, uma casa ou um carro, que nos podem tornar pessoas felizes. Essas coisas podem até nos trazer um certo mérito social/familiar, algum prestígio e, porque não, alguma satisfação – sobretudo num país como o nosso onde, na prática, um dos efeitos negativos mais marcantes da globalização é a desvalorização total e completa dos saberes que não podem ser comprovados por meio de um certificado/diploma. Somos, parafraseando Valete, ditados de G8 maneiras.
Contudo, sejamos sinceros enquanto tivermos o poder de dizer a verdade: a felicidade não reside na satisfação mundana nem na realização material do homem. Pois, como todos sabemos, o homem não vive só de pão, ele necessita de desenvolver também a sua componente espiritual, o seu intelecto, aprender a controlar as suas pulsações instintivas, os seus nervos e, sobretudo, a ver os outros homens como seus semelhantes.
Na sua Lei Moral Interior ou Imperativo Categórico, afirmava Kant que devíamos agir sempre de tal forma que pudéssemos desejar simultanemente que a regra segundo a qual agimos fosse uma lei universal. Claro está que esta Lei Moral Interior de Kant pode ser reformulada de várias outras formas credíveis, eis um exemplo concreto: quando faço alguma coisa, tenho de ter a certeza de que desejo que todos façam o mesmo numa situação semelhante.
A Bíblia diz que a boca fala aquilo que o coração está cheio – e, tomando o devido cuidado para não generalizarmos as coisas até ao ponto de as viciarmos o verdadeiro sentido, julgo que essa afirmação deve ser considerada correcta. Portanto, seguindo esse raciocínio, que nos perdoem os Anti-Cristos, o nosso centro reside na nossa interioridade, neste caso específico o coração. De maneira que, se nos propusermos a purificar os nossos corações, existe uma quase indiscutível possibilidade de [em todas as situações das nossas vidas] tomarmos atitudes dignas de louvores e conseguirmos ser felizes ou, no mínimo, tornar os outros mais alegres. É por isso, aliás, que insisto em dizer que a verdadeira felicidade não virá com um diploma, muito menos com uma casa ou um carro – embora isso não signifique, de modo algum, que não devemos pretender obter tais coisas. Lembro-me de Oscar Wilde dando votos à educação formal e académica mas, simultaneamente, deixando bem claro que as coisas mais belas da vida não se aprendem, encontram-se.
A verdadeira chave deste emaranhado denominado felicidade reside no nosso comportamento, na conduta moral que nos guia, na nossa espiritualidade, na nossa fé. Afinal de contas, o homem não é senão aquilo que lhe dita o seu Eu, isto é, a sua componente interior – que, sabemos, é algo susceptível à educação e à mudança – associada ao seu meio social e limitações.
É possível, mesmo em situações de extrema depressão e mortes, uma pessoa manter-se feliz, dizia o meu grande amigo Jaime Chivite.
A nossa felicidade é uma questão bastante individual. Tem a ver com o espírito de cada um de nós. Não é uma questão de exterioridade, dizia Dale Carnegie.
Muitos pobres-infelizes não seriam ricos-felizes mesmo se se tornassem donos da Microsoft. Teriam, provavelmente, momentos bastante alegres, isso não devemos negar, seria muita insensatez da nossa parte, mas não nos enganemos pensando que eles seriam felizes.
A dinâmica dos nossos tempos obriga-nos constantemente a fazermos um êxodo para o exterior das nossas próprias vidas. Viciamo-nos e tornamo-nos dependentes de coisas mesquinhas, desde as drogas até a moda. Temos sempre uma tendência [talvez inconsciente] a superar o nosso próprio Eu. Queremos sempre ser os maiores. Os melhores entre os mais aplaudidos. A sociedade educou-nos assim, também isso deve ficar claro. Somos vítimas de um sistema[1].
Crescemos ouvindo que devíamos sempre passar de classe, ir a igreja, ser comportadinhos, o cabelo bem penteado e as calças na cintura — e não será de um momento ao outro que nos livraremos desse eco das experiências da nossa infância. Afinal de contas, isso se tornou parte integrante da nossa própria identidade. Isso somos nós – e nós somos isso.
Todavia, agora que somos ou nos julgamos mais crescidinhos, o nosso nariz já é pertença nossa e, para melhor defendê-lo, talvez seja tempo de começarmos a perguntar PORQUÊ? até nas coisas que nos parecem mais insignificantes. Porquê passar? para ser doutor. Ser doutor para quê? para ter uma vida social e económica estável. Para quê ter uma vida social e económica estável? para viver bem, ter uma reputação social, ser respeitado, comer e beber do melhor. Mas o que significará tudo isso para mim? Será que vale a pena mentir, roubar, matar, por causa da egoísta satisfação do meu ego?
Claro está que isso de querer saber PORQUÊ não é coisa para todos, não senhor. Dizia o outro que a poucos é dado o dom de querer saber. Não sei exactamente “porquê” mas nas sociedades modernas existem pessoas que apenas seguem o trajecto dos outros. Que não vivem, apenas existem. Sim, estou a falar de pessoas que, por exemplo, mesmo aprendendo sobre a ciência e o desenvolvimento tecnológico, a sociologia e a medicina moderna, a filosofia e a matemática, pura e simplesmente não desenvolvem nenhum conceito/conhecimento inédito/individual em algum desses tantos ramos do saber. E o que dizer desses camaradas que, enquanto os seus irmãos morrem lutando, eles simplesmente palitam os dentes[2]? Serão felizes esses camaradas medricas, que enchem o fardamento de sangue e se estendem ao chão em plena batalha, fingindo estar mortos? Chegará a autêntica primavera na vida desses camaradas egocêntricos que apenas pensam nos seus próprios desejos carnais?
Não direi que “não chegará” para evitar um pessimismo irreverente, mas tenho ainda muitas dúvidas.
Alguns pensadores chegaram mesmo a afirmar que a felicidade não existia, assim como não existiam o desespero e a tristeza, mas apenas “níveis intermédios” – e o papel do homem era procurar equilibrar-se entre esses níveis. O grande escritor sueco Henning Mankell, no seu livro Secrets in the Fire, afirma que “happiness is what we realise we have had, after we have lost it” [a felicidade é aquilo que vêmos que tivemos, após termos perdido[3]].
Eu sou de opinião que a partir do momento em que cedemos as coisas materiais e damos primazia à vida espiritual somos perseguidos por uma inevitável possibilidade de alcançarmos a felicidade sem precisarmos de despender muita energia. Encontramos sem procurar aquilo que os outros procuram sem encontrar, dizia-se nos tempos mais antigos. Por outro lado, citando Platão, o caminho para a felicidade não existe, a felicidade é o caminho.
Na esperança de que este tema tenha sido do seu sincero interesse, despeço-me cordialmente, acreditando que em breve manteremos um novo diálogo nesta mesma vertente literária, embora esteja claro que o objectivo não é influenciar ou viciar a tua visão do mundo que nos rodea, mas partilhar contigo alguns saberes que muitos ignoram e, sobretudo, despertar o teu interesse sobre o Sentido da Vida que, provavelmente, será o nosso próximo texto.
God is always close and available
In:
Happy moments, praise God
Difficult moments, seek God
Quiet moments, worship God
Painful moments, trust God
Every moment, thank God
Deus está sempre próximo e disponível
Em:
Momentos felizes, louve a Deus
Momentos difíceis, busque a Deus
Momentos tranquilos, honre a Deus
Momentos de dor, confie em Deus
Todo o momento, agradeça a Deus[4]
By Jaime Chivite
[1] Entendo sistema como sendo uma forma de governo ou constituição política ou social de um Estado.
[2] Parafraseando o Reginaldo Isaías Uamba em Guerreiros, escrito em 2002.
[3] A tradução é nossa, não do autor.
[4] A tradução é nossa, não do autor.
Caso queira me contactar, escreva para este endereço.
A meta de passagem deve ser de 100%...
Quando lí o título da entrevista fiquei com a impressão de que mais uma vez era testemunha duma liberdade de expressão (e de imprensa, provavelmente) mal veiculada, ou seja, usada em prol da audácia do jornalista mas em contradição com os verdadeiros ditos do entrevistado. No entanto, uma leitura integral permitiu-me digerir na íntegra o que daquela conversa se registou e publicou no jornal Notícias.
Talvez até fosse uma ambição louvável, a do nosso ministro: uma meta de passagem na ordem dos 100% representaria um uso totalmente racional e sustentável de todo um leque de oportunidades que a Educação dispõe e oferece. Todavia, sejamos francos, o nosso nível de ensino, tendo em conta as condições e limitações sociais, materiais e humanas à que os professores e alunos estão sujeitos, é uma auténtica utopia.
Por outro lado, devemos considerar a coisa do ponto de vista de avaliação do próprio curriculum. O ideal seria que a actualização do que se ensina na escola fosse de tal maneira dinamico, eficiente e rentável, que não fosse sequer necessário alcançar os tais 100%, visto que os resultados, per si, seriam satisfatórios. Ambições dessa natureza podem levar-nos a uma situação em que, por exemplo, teremos aprovações na ordem dos 100%, mas continuaremos a viver de produtos e culturas importados.
Continuarei abordando este assunto, mas agora o trabalho me chama.
Abraço aos companheiros de luta.
Talvez até fosse uma ambição louvável, a do nosso ministro: uma meta de passagem na ordem dos 100% representaria um uso totalmente racional e sustentável de todo um leque de oportunidades que a Educação dispõe e oferece. Todavia, sejamos francos, o nosso nível de ensino, tendo em conta as condições e limitações sociais, materiais e humanas à que os professores e alunos estão sujeitos, é uma auténtica utopia.
Por outro lado, devemos considerar a coisa do ponto de vista de avaliação do próprio curriculum. O ideal seria que a actualização do que se ensina na escola fosse de tal maneira dinamico, eficiente e rentável, que não fosse sequer necessário alcançar os tais 100%, visto que os resultados, per si, seriam satisfatórios. Ambições dessa natureza podem levar-nos a uma situação em que, por exemplo, teremos aprovações na ordem dos 100%, mas continuaremos a viver de produtos e culturas importados.
Continuarei abordando este assunto, mas agora o trabalho me chama.
Abraço aos companheiros de luta.
Assinar:
Postagens (Atom)
